The Long Dark Tea-Time of the Soul - Douglas Adams

Depois de quase 3 meses lendo outros livros, finalmente tomei tempo para terminar de ler a série de livros de detetive do Douglas Adams. Quando li "O salmão da dúvida", não tinha entendido porque o autor dizia que deveria ser um livro do Dirk's e não do Guia do Mochileiro das Galáxias. Agora entendo.

Os livros do Douglas Adams são normalmente nonsense, as piadas vem de qualquer lugar e é preciso se acostumar ao mindset dos livros (tudo, TUDO pode acontecer). Mas este livro me deu muitos problemas para entender seu final, pensei que tinha sido o meu inlgês, mas pesquisando o final na internet, vi que muitos ficaram com as mesmas questões, porque o final é implícito.

O título é dado devido àquela hora de domingo a tarde onde não há nada para se fazer no Reino Unido, pois a semana está entre acabar e a próxima começar. Um limbo do britânico trabalhador. No nosso caso, o livro se chamaria: A longa e escura hora de assistir Faustão.

A história gira em torno do Dirk Gently um detetive "holístico". Ou seja, que resolve os mistérios se baseando no fato que todas as coisas do universo estão intrinsecamente conectadas. Douglas demonstra essa conexão nos dois livros da série por contando diferentes histórias em cada livro e fazendo elas se conectarem no final. No "The Long Dark Tea-Time of the Soul" as histórias são: uma estadunidense tentando pegar um voo em Londres, um velho morando num asilo, uma máquina de Coca-Cola e um pacto de venda de almas, ah e Thor!

[SPOILERS TIME]

A história começa com a estadunidense numa fila tentando pegar um voo para Norway, mas para isso ela tem que esperar um enorme rapaz nórdico na sua frente comprar uma passagem. Como o rapaz demonstra ter problemas em lidar com dinheiro, cartões e cheques, a moça compra a passagem para ele com a promessa dele enviar o dinheiro para seu endereço no futuro.

A atendente pede o passaporte do nórdico, que começa outra discussão com ela. De repente uma explosão acontece no aeroporto. E todos concordam, foi um ato divino e por isso seguem em frente com sua vida sem nunca mais questionar o que aconteceu, quem foi o deus que agiu ali e como poderíamos evitar que isso se repita.

Neste universo de Adams, os deuses existem porque nós, os humanos, os criamos. Eles vivem num universo que definimos, com as características que decidimos e poderes escolhidos por nós. O problema disso é que os criamos imortais. Sendo imortais e incapazes de se adequarem perfeitamente ao nosso mundo moderno, eles são ignorados. Quando vemos Thor andando na rua, nossos olhos simplesmente desviam dele. Isto causa diversos acontecimentos estranhos no planeta, que acabamos aceitando-os como meros deslizes da natureza. Como a explosão no aeroporto.

O humor de Douglas neste livro está ótimo como sempre, mas acho que há menos crítica a sociedade do que nos demais livros. Outro problema em minha opinião é o final "implícito". Assim como a história começou, ela termina com diferentes atos de diferentes personagens, tomando ações que implicitamente afetam todos os demais.