Sobre as manifestações em Campinas

Na quinta-feira(20/06/2013) ocorreu a primeira manifestação em Campinas do Movimento Passe Livre depois da tentativa do prefeito Jonas Donizette(PSB) de aumentar a passagem do ônibus para RS$3,30. Houve assaltos a lojas e depedração a patrimônio publico(principalmente a prefeitura), porém não vi nada disso acontecer.

Por medo da falta de ônibus ou para deixar que os funcionários participassem da manifestação, várias empresas liberaram todos mais cedo em Campinas. A minha empresa não foi diferente e por isso cheguei ao lago do Rosário as 16hrs. Já tinha uma multidão por lá, e o número que ouvi durante o ato era que mais de 50 mil pessoas tinham ido às ruas.

Lá estavam pessoas de todas as tribos urbanas possíveis, havia o pessoal simpatizante do anonymous de mascáras de Guy Fawkes(alias, se você nunca leu V de Vendetta, está esperando o que?), idosos, crianças e diversos grupos de movimento estudantil. Por causa dessa mescla de grupos, havia algumas pessoas sem foco, com diversos cartazes que não se referiam ao tema da manifestação. Porém diferente de relatos de alguns amigos, no bloco onde estava(onde a lideração emergiu do Campo Domínio Público) as palavras de ordem eram em relação ao passe livre.

Estavamos próximos a prefeitura quando começamos a ouvir bombas de efeito moral e sentir o cheiro de gás lacrimogêneo. Boatos diziam que alguns manifestantes estavam depedrando a prefeitura de Campinas e que a polícia reagiu a eles. Permanecemos onde estavamos e continuamos a gritar palavras de ordem enquanto aguardavamos para onde poderiamos ir.

Na rua na nossa frente, muitas pessoas corriam e podiamos ver a fumaça subindo, até que em certo momento a PM(ou tropa de choque) jogou bombas de gás lacrimogêneo em nossa direção e fomos obrigados a recuar.

Não dispersamos(perdeu Alckimin) e continuamos a andar por Campinas e graças a galera do Domínio Público conseguimos andar sem encontrar a tropa de choque novamente.

O nosso bloco estava tão focado, que ao passarmos próximos a um hospital, uma das pessoas do Domínio Público pediu para que fizessemos silêncio durante aquele trajeto e todo o grupo respeito(isso mesmo você que viu na TV que foi só quebra-quebra, melhor procurar outra fonte de informação).

Por fim, fomos até o Cambuí, onde nos organizamos para ir embora e confirmamos que na sexta-feira a rua seria nossa novamente.

Sexta-Feira

Na sexta, talvez pela bagunça no centro, talvez pelo cansaço das pessoas, tivemos um número bem menor do que na quinta, mas ainda sim era um número grande o suficiente para pararmos a norte-sul.

Em certo momento a PM nos cercou, sentamos fizemos um jogral para acalmar a todos e permanecemos ali até a PM sair.

Depois de andar por mais algum tempo, fomos avisados que havia outro bloco em frente a prefeitura, mas que as coisas estavam tensas do lado de lá. E por isso iriamos votar, se iriamos para a prefeitura ou para o largo do rosário(onde começamos a manifestação). Uma grande quantidade de pessoas não esperou a votação e se dirigiu a prefeitura. Como ficamos em um número menor, nos aproximamos da prefeitura e esperamos a poeira baixar, paralizando uma das ruas que a PM poderia usar para cercar os manifestantes. Assim que sentamos a PM apareceu, porém não nos atacaram.

Após vermos que era seguro, fomos até a prefeitura e sentamos em frente ao prédio, gritando palavras de ordem.

No nosso grupo, havia pessoas com camisetas de políticos, e alguns manifestantes pareciam querer nos expulsar.

Realmente não consigo entender esse tipo de pessoa, os partidos políticos de esquerda sempre estão ajudando a organizar manifestações deste tipo, inclusive a do MPL do ano passado, por que seria "oportunista" para eles irem até lá? E por que você tiraria o beneficio das pessoas de poderem se manifestar? Lembre-se é minando os partidos políticos que se cria uma ditadura.

Partidos políticos são organizações de pessoas que brigam por um mesmo ideal, com ideias similares. Não são máquinas de corrupção por si só. Temos que tomar cuidado para não sermos manipulados afim de passar a odiar política e com isso não prestarmos atenção em quem votamos por que "todos são iguais".