O que eu li em Março/Abril de 2016

Tentando seguir com minha meta de ler ao menos um livro por mês nesse mês de março/meio de Abril eu terminei de ler "Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida" do Eduardo Spohr e o conto do Mushi-San: "Hic sun monstra".

Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida

Nada persiste por mais de um instante. Seja uma descarga cósmica ou um domingo de sol, todas as coisas estão em movimento.

Há uns três anos atrás, por indicação do Douglas Barbosa, eu acabei lendo o livro A Batalha do Apocalipse do Eduardo Spohr e simplesmente me apaixonei pela forma como ele retrata a mitologia cristã de uma maneira mais heróica (ao invés de pegar o lado religioso, ele segue uma linha mais "mitologia grega", colocando personalidade nos principais anjos, dando sentimentos humanos a eles --como inveja, rancor, amor--). Por isso, tinha esse livro na minha lista de leitura desde o seu lançamento.

Filhos do Éden é uma trilogia de livros que acontecem antes dos fatos narrados em A Batalha do Apocalipse. O autor deixa claro que o livro não é um épico como o seu anterior e sim uma aventura mais leve. Então não espere um alto teor filosófico ou mesmo um livro com diversos personagens profundos.

Então por isso, eu tinha quase certeza que iria ler o livro no espírito correto e não ia me decepcionar...

Porém logo no começo do livro fiquei desapontado, pois achei a coisa "americanizada" de mais. A personagem principal se chamava Rachel e a descrição da faculdade em que ela estudava me soava demais como uma universidade estadounidense (com fraternidade ao invés de grupos estudantis, por exemplo). Fiquei com um pé atrás a partir dai, sempre achando que o livro se passaria no Brasil, mas com os aspectos de filmes norte-americanos. Com o passar das páginas, o autor se redime e a história realmente passa a se passar no Brasil que conhecemos.

Tanto é verdade, que o livro descreve um "templo" no meio da floresta amazônica com seres que pareciam o curupira. Uma ideia fantástica para unir o folclore brasileiro com a mitologia cristão/universo descrito.

Hic sun monstra

O conto do Mushi-san descreve a vida de um monstro (passando por seu nascimento, vida e pós-morte). A narrativa em primeira pessoa foi um ótimo toque e apesar de ser meio difícil de se situar no começo (dado que é necessário esperar o personagem explicar em que lugar ele está, quem é ele e o que está acontecendo), depois que você entende o universo daquele conto o texto flui muito naturalmente e é impossível não ler de uma vez só.

O texto é ao mesmo tempo "engraçadinho" (por você entender as referências) como sério e "pesado" por conta das críticas sociais feitas nele (que inclusive fazem total sentido no Brasil que vivemos hoje).

Por falar em crítica social, não vou contar o final, mas como diriam os gregos: p** que pariu, que final bom :).

Enfim, um ótimo conto, com poucas páginas que dá para matar em uma ida ao banheiro, como diz o Douglas.