O perigo do software proprietário

A história que vou contar neste texto é a típica história vergonhosa para todos os lados. Daquele tipo que você morre de vontade de contar para todos, e quando essa vontade transborda usa o velho jargão "aconteceu com um amigo de um amigo meu".

Um amigo de um amigo meu tem uma empresa de capital aberto GIGANTE, que apesar de atuar num ramo consideravelmente trandicional, sempre procurou ter diferenciais inovadores. Olhando para o mercado internacional, descobriram um software proprietário de CRM de uma empresa européia.

A solução completa da empresa era muito caro(casa dos milhões pela licença), assim o amigo de um amigo meu prefiriu comprar somente o núcleo do sistema e usar a área de TI(muito forte na empresa) para construir em volta um ecossistema próprio. Dentro desse ecossistema surgiram diversas ideias inovadoras que vira e mexe estão na grande mídia.

Mas o mundo muda, e junto com o mundo softwares também deveriam mudar. Passou-se a ter uma necessidade de novas funcionalidades ou melhorias(bugs fix) no núcleo proprietário. A forma mais simples de se fazer isso era comprar a licença da versão mais nova, que provavelmente teria tudo o que a empresa precisava.

Porém o ecossistema era consideravelmente acoplado com a versão antiga e por isso o amigo do meu amigo entrou em contato com a empresa para ver o preço de adicionar esses requisitos na versão que eles tinham.

A empresa européia é uma das maiores empresas de CRM nesse mercado especifíco e não dependia da empresa brasileira para não ir para o vermelho e não tinha interesses em ficar dando suporte em uma versão antiga e não mais comercializável de seu software, por isso respondia as requisições de mudanças com prazos enormes(3 ou 4 anos), juntamente com preços absurdos(chegando bem próximo a casa dos milhões).

A empresa brasileira não tinha muita escolha, já que seu ecossistema também tinha custado milhões e não poderia ser substituido ou alterado rapidamente para se adequar a uma nova versão. Com isso, surgiu duas opções, pagar pelas melhorias e esperar(com o risco de não ser mais uma empresa tão inovadora assim) ou fazer gambiarras ao redor do software proprietário, afim de sanar os bugs e requisitos não atendidos.

Não preciso dizer que softwares com gambiarras em pouco tempo dobram o seu custo para a empresa, não é mesmo?

Claro que podemos "culpar" a empresa brasileira por ter resolvido economizar um pouco de dinheiro e não comprar a solução completa, mas será que isso só não adiaria o problema?

A vantagem do software livre está justamente aqui, se o núcleo da empresa fosse baseado em um software sob a GPL, o amigo do meu amigo poderia contratar mais alguns engenheiros só para modificarem o núcleo quando acharem bugs ou a cada nova necessidade. Isto com certeza não seria barato, e em um longo prazo provavelmente sairia mais caro que o software proprietário. Porém a empresa poderia se mover mais, inovar, que era o foco deles desde o principio, e com isso ter lucros maiores.

Software livre não é vantajoso porque sua licença é gratuita, mas por não te deixar amarrado com um vendor.