Marraquexe - Marrocos

Depois de três anos morando na Europa, eu finalmente pisei em um novo continente: África. Por conta da proximidade com o continente Europeu, imaginei que não seria muito diferente de cidades espanholas, por exemplo (spoiler: é bem diferente). A cidade de Marraquexe, apesar de importante e com vários pontos históricos, não tem muita coisa para se fazer. Em dois dias é possível percorrer os principais pontos turísticos.

Fiquei na parte antiga da cidade e só descobri que existia uma parte muito mais "moderna" e européia quando estava voltando para o aeroporto. Honestamente, não perderia um segundo naquela parte da cidade de qualquer forma: marcas européias, lixo em forma de comida (McDonald's e afins). A parte antiga é que guarda o verdadeiro coração da cidade. A parte que ficamos era simples, não muito diferente de onde morava no Brasil. Casas sem luxos, carros populares e mercadinhos/padarias de pessoas locais. As casas eram feitas de barro e se dividiam em diversas ruazinhas. O povo era muito amigável entre si, beijos masculinos aqui e ali. Pessoas passando de moto e se acenando como se fossem velhos amigos que não se viam a dias. O contato com as mulheres era muito reduzido. Crianças dos dois sexos brincavam na rua, mas as mulheres mais velhas no geral ficavam no seu canto sem gritar/conversar com muita gente.

Ficamos em um riad e não em um hotel. Riads são antigas casa de familia. No centro da casa fica um jardim com uma fonte, e os quartos ficam virados para esse jardim. A casa é praticamente um cubo com o centro sendo o jardim e ao redor dele os quartos. Por causa da demanda, muito desses riads viraram hotéis ou restaurantes. Como fiquei numa parte mais simples da cidade, o nosso riad era super pequeno (dois andares), com cinco quartos. Os empregados eram super simpáticos (sempre sorrindo), capazes de falar diversas línguas (inglês, francês e espanhol) e super solicitos. Mas (como no resto da cidade) esperavam gorjeta por tudo que faziam (não que isso seja ruim dado o salário baixo da região, mas quando estava sem dinheiro ficava meio sem graça de perguntar algo).

Dinheiro é um tópico importante para viajar por lá. Tudo é muito barato para OS LOCAIS, por que o salário deles é muito baixo, então museus, e produtos vendidos, geralmente são vendidos com preço diferente para turistas (justo). Ainda sim, tudo é barato para os padrões de Dublin, comida para dois regados de chá por cerca de 20 euros. Um ponto MUITO ruim é que as pessoas pulam na sua frente para "te ajudar" e cobrar dinheiro pela ajuda. Junte isso a um trânsito caótico (motos passam no meio da calçada onde não cabe três pessoas juntas) e vendedores gritando na sua orelha para você ver os produtos deles (e sendo super grossos quando você educadamente diz que não quer nada naquele momento).

As pessoas que te "ajudam" cobram dinheiro de você (se eu realmente usei a ajuda, eu dava algumas moedas, eles ficavam meio putos querendo uma nota, mas explicava que não tinha nada ali). Por conta dessas ajudas, as pessoas ficavam te chamando toda a hora, o que gerava um pouco de medo, dado que estávamos andando em lugares diferentes do que estamos acostumados e sem muito turistas em volta.

Como minha namorada e eu não gostamos de comprar de corporações, aproveitamos para comprar algumas coisas lá que eram feitas pelas próprias pessoas. A cidade antiga tem grandes concentrações de comércio. Uma delas é Medina, que é o ponto de turistas. Não compre lá. Tudo muito mais caro que o aceitável fora a quantidade de bichos maltratados (macacos acorrentados para turistas tirarem fotos, encantadores de serpente, tartaruguinhas e camaleões presos). Na primeira vez que comprei algo, fui "roubado" pelo comerciante. Na segunda vez, já estava mais ligado e comprei o dobro pela metade do preço.

Gorjetas são algo básico por lá, mas tente dar sempre aos empregados, assim eles ficam com o dinheiro e não precisam repassar a nenhum empregador. Em Riads e hotéis, lembre-se que as pessoas que arrumam o seu quarto ganham bem menos que os recepcionistas e que elas merecem uma gorjeta maior :).

Como álcool não é permitido para muçulmanos, na frente dos "botecos" a galera bebe chá. E chá foi o que bebemos em todos os restaurantes que fomos, alguns (bem poucos) tinham opção alcoólicas, mas pra quê com tanto chá bom?

As especiarias no geral eram muito boas, perfumes, comida, chás. Recomendo experimentar tudo. Principalmente os chás.

Antes eu tinha lido em alguns reviews que era muito difícil comer vegano por lá e era mais simples tentar ir em um local vegetariano. Isso não é tão verdade assim. A dificuldade não é muito diferente de qualquer outra cidade européia. Comidas locais realmente não existem muitas opções, eu pessoalmente só comi couscous e tajine de vegetais. Os tajines em geral são muito gostosos, mas eles são pequenos e não sustentam muito. Na janta, era comum ir dormir com fome, mesmo que as comidas geralmente fossem acompanhadas de pão.

Tem gatos por toda a parte da cidade, mas não brinquei por conta de uma notícia sobre um turista ter pego raiva com um deles :C. Mas eles pareciam mansos e muito fofos.

Além dos pontos turísticos da cidade (Medina, Palácio da Bahia, algumas mesquitas) também fizemos um passeio de quad-motos. A parte com as motos durou meia hora, gastamos mais tempo indo até lá do que andando com elas. Mas valeu a pena.

Marraquexe tem seu lado estressante (trânsito e vendedores), mas no geral é uma cidade tranquila. As pessoas estão dispostas a te ajudar em troca de algum dinheiro. Até mesmo as crianças fazem questão de ajudar por trocados. Comidas veganas não são tão difíceis assim de achar e se algo tiver queijo/ovo, você pode pedir para tirar. Comércios verdadeiramente locais e sem grandes corporações abusando de todo mundo, alias, sempre que você entrar numa loja, vão te oferecer chá. No geral a cidade é bem segura, só é necessário ficar de olho nos vendedores que fazem preços aleatórios e é necessário negociar. As pessoas vão pular na sua frente para oferecer ajuda e pedir dinheiro depois, então tome cuidado antes de aceitar.

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