Lisboa - a visita do colonizado

Aproveitando o feriado do dia dos trabalhadores, resolvi me aventurar pelas terras portuguesas. À primeira vista o país parece ser o Brasil colônia, sem por nem tirar (o que faz muito sentido). Porém, ao adentrar na cidade de Lisboa você já começa a reparar que aquele lugar nada tem de familíar com o Brasil, nem mesmo a língua.

O sotaque dos portugueses é algo realmente estranho e é quase impossível entender-los nas primeiras horas. De acordo com a senhora que eu aluguei o quarto pelo Airbnb, a diferença é grande, pois eles realmente dão ênfase nas sílabas, diferentemente do brasileiro. Por exemplo, a palavra "familía" eles dizem "fa-mi-lÍa", enquanto a gente fala "familha" ignorando totalmente a acentuação e engolindo a letra "i".

Outra coisa diferente no idioma para nós brasileiros é a escolha de palavras. Eles parecem muito formais (mesmo não levando em consideração que eles conjugam os verbos na segunda pessoa quando falam). Até as pixações são "formais".

Portugal é um país extremamente barato para os padrões europeus, com o valor de um almoço (sem bebida) em Dublin, eu comprava diversos pães diferentes e gostosos (pastel de Belém <3), almoço, vinho e suco e ainda sobrava dinheiro. Mas isso reflete diretamente na cidade que tem diversos prédios abandonados, vários pedintes e um certo ar de perigo.

E talvez por todo esse contraste entre turistas europeus ricos e portugueses pobres a cidade está cheia de pixações e cartazes de protesto contra a situação.

Mas se engana que apesar da crise a educação foi deixada de lado por lá. Os comerciantes que eu encontrei nos restaurates geralmente falavam quatro línguas: português (dã), francês, inglês e espanhol.

Por falar em comércio, apesar da maconha ser proíbida, em todo o lugar que você vai tem alguém te oferecendo a droga. O mais engraçado era que algumas vezes os vendedores de óculos escuros é que vendiam, o que me lembrava que "quem não tem colírio, usa óculos escuro".

A cidade é um lugar bem culto. Lar de diversos escritores e poetas, eu diria até que a cidade é a Hollywood dos escritores. Em todos os lugares é possível ver uma plaquinha homenageando alguém que morou naquele lugar. E praticamente em todo o bairro de Lisboa tem alguma homenagem ao Fernando Pessoa.

A casa do Fernando Pessoa e do José Saramago são lugares muito legais para quem gosta de literatura. Os dois lugares quase não tem nada de muito especial dentro, mas a arquitetura dos lugares com os poemas/textos espalhados pelas paredes é algo que vale a pena (se a alma não for pequena, né? :P).

Mas não só de pão viverá o homem e Lisboa é mais do que padarias e escritores. As praias são muito bonitas, apesar de bem diferentes das do Brasil. As áreas de areia são pequenas e metade delas geralmente são reservadas aos bares da região que alugam para as pessoas (diferentemente do Brasil, o guarda-sol dos comerciantes são pagos, geralmente entre 5 a 20 euros).

A cidade no verão é muito quente, mas não tão quente como o Brasil (se eu me lembro o que é calor, depois de viver na sempre chuvosa Dublin). Por conta disso e dos morros da cidade é impossível andar por ela inteira, sendo necessário o uso constante de metrôs ou "autocarros" (vulgo ônibus). Mas nem isso encarece o passeio, dado que é possível pegar bilhetes de 24hrs por 6 euros.

Um detalhe chato, é que mesmo o sistema utilizando o mesmo cartão, caso você recarregue o seu com "dinheiro para usar no metrô", não poderia usar nos ônibus, nos trens ou nos ônibus elétricos, sendo necessário comprar um para cada tipo de transporte.

Eu passei 4 dias na cidade e acho que foi o suficiente. Porém passaria mais para aproveitar o clima quente.