Itália, o retorno - parte 1

Há muito tempo atrás fiz minha primeira viagem à Itália, mais precisamente em Roma. Na época viajei durante o inverno e tinha ido para outros dois países: França e Inglaterra. Por conta das altas temperaturas nos dois países, achei altamente aconchegante o frio de 6 graus celsius. Desta vez fui a região de Vêneto no verão e não poderia reclamar mais do calor.

Vêneto fica no nordeste da Itália, eu fiquei mais precisamente em Dueville que fica entre Verona e Veneza. A região fala a língua Vêneto, que hoje em dia é cada vez menos utilizada graças a unificação da Itália e a obrigatoriedade da língua toscana no lugar. A língua de Vêneto é falada no Brasil e chamada de Talian, falada nos estados de São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina e principalmente Rio Grande do Sul. É a segunda língua mais falada no país.

A região é rica com bons vinhos. A comida não é tão barata como no sul italiano, mas algumas coisas são bem em conta que em Dublin (pizza, macarrão e álcool no geral). É possível encontrar vinhos por meros dois euros (em contraste de Dublin, onde só é possível por 7 euros). O que faz sentido, pois a região é a terra natal do prosecco, valpolicella e bardolino. Licores e grapa (a bebida italiana e não a bebida doce brasileira) também são muito baratas.

Nessa viagem visitei o Lago de Garda, Veneza, Verona (só passei rapidamente pelo Shopping lá) e a província de Bolzano. Bolzano é uma província autônoma, que tem como línguas o alemão, o italiano e o ladino-dolomítica (da família reto-romântica, tendo dentre "seus irmãos" a língua romanche uma das línguas oficiais da Suíça).

Como passei mais tempo em Vêneto, em Dueville, posso falar mais com propriedade do que achei daquela cidade, do que das outras.

A infraestrutura da cidade lembra muito uma cidade do interior brasileiro. Poucos ônibus, trem apenas para Vicenza (a grande cidade da região) e centro criado em volta da igreja da cidade. A cidade é bem calma, pouco barulho na rua, espaço rural e trechos com muita pouca iluminação (por ser mais rural). A cidade praticamente implora por uma noite de vinhos a luz das estrelas, se você tiver carro para se locomover, claro.

Justamente por toda essa dificuldade em se locomover, alugamos um carro. O preço não foi um dos mais baratos. Ficando por volta dos 300 euros. As autoestradas são boas, onde o limite é 130km/h como viajei muito pelas montanhas também, acabei pegando trechos de estadas horríveis, onde apesar do limite um pouco mais alto (50~70km/h) era impossível passar dos 30. No geral dentro das cidades as avenidas são ruins, tendo apenas uma faixa para cada sentido, assim como as rodovias no entono delas. O sistema de pedágio é diferente, você pega um bilhete quando entra na autoestrada e o paga dependendo de onde sair (assim se usar apenas alguns quilômetros você paga menos).

Para reabastecer o carro é possível ir em postos "self-services" ou ir em postos com frentistas (um pouco mais caro, pois você paga pelo serviço). A gasolina não é um absurdo (cerca de 1,27 o litro). Apenas fique de olho ao colocar o dinheiro nas máquinas de self-service, elas não devolvem troco e sim uma nota fiscal com crédito para você pegar o dinheiro de volta no caixa do posto. Importante notar também que se você usar o cartão, a máquina irá tomar cerca de 100 euros como crédito, mas te retornará esse valor ao final do abastecimento, cobrando apenas o que você gastou.

Fiquei apenas dez dias na Itália, mas acabei conhecendo diversas regiões e dirigido por vários quilômetros. Acabei conhecendo um pouco o lado ruim, como a falta de transporte público de qualidade, o calor insuportável, mas também conheci o lado bom, como os bons vinhos, boa comida e lugares belíssimos.