In angustiis apparent amici

Há muito tempo -e nem tão tempo assim- escrevi um texto sobre o término da faculdade em 2013 e a necessidade de se iniciar novos planos, lugar por novos desafios e até mesmo definir o que é a vida.

Estranhamente, ainda tenho as mesmas dúvidas que tinha no momento de escrita daquele texto. A necessidade que pulsava em minhas veias para responder a pergunta fundalmental desaparecera, restando somente um pensamento no fundo da mente. Como um luto permanente por uma pessoa que amamos e se foi.

Contudo, nesses dois anos que se passaram aprendi que assim como nas ocasiões é que se conhecem os amigos, são as ocasiões que nos definem. Nossa vida, nossas metas, nossas alegrias, nossas personalidades, são nada mais do que consequência de cada passo que demos durante toda a nossa vida.

Não que saber deste fato, mude alguma coisa em nossa vida. Mas dado o sentimento de retrospectiva e previsões que todo o começo de ano trás, há a tentação de se olhar para trás, para entendermos quem nós somos e quem poderemos ser no futuro.

Mas é preciso cuidado.

Como Aldous Huxley disse, não podemos nos perder "rebolando no mar de lama" que são nossos erros, mas temos que nos certificar de não o cometermos novamente. Nem mesmo, como C.S. Lewis nos advertiu na trilogia espacial, nos perdemos querendo voltar as alegrias passadas.

Ao futuro andamos sempre, mas nunca o vivemos. É tentador economizar a vida, para viver um futuro melhor. Não adianta nada ganhar o mundo e perder a alma, não é mesmo?

A moderação entre viver o presente e moldar o futuro é necessário.

E é nessa pegada que olho para 2015, um ano marcado por luto pelo meu Tio Eliakim que faleceu lutando contra um câncer. Mas ao mesmo tempo, um ano de conquistas, com uma oferta de trabalho em Dublin e com uma viagem paga por conta de uma bolsa de estudos.

Diferentemente da maioria dos textos de final de ano -talvez nem tanto-, deixo a previsão do futuro para George Orwell. E de 2016, só espero novas circustâncias que mudarão pouco a pouco tudo aquilo que acredito, como uma grande metamorfose ambulante.