E o tal do home office?

Em janeiro deste ano comecei a trabalhar em uma pequena startup de home office. O tema de home office não é novo e diversas pessoas já vem falando dele há algum tempo. Mas a maioria dos textos que eu conheço sobre o assunto se focam em como fazer funcionar e não na experiência propriamente dita. Acredito que um texto focando na segunda parte possa ser de grande valia para pessoas que estão pensando em aceitar um trabalho com essas condições. Então, pensei em fazer este texto contando como foi minha experiência de cerca de 8 meses. Vale ressaltar que experiências podem ter resultados diferentes dependendo do ambiente em que o estamos testando, não tome nada daqui como verdade absoluta, é uma experiência entre milhares por ai.

Em meados de dezembro, fui chamado por uma conhecida para começar a trabalhar na empresa dela. Uma empresa com um bom tempo de estrada, mas com pouquissímos funcionários e nenhuma área de TI. Tudo até aquele ponto era tercerizado. Por isso, era necessário criar uma série de processos para fazer com que o desenvolvimento rodasse sem problemas. Aceitei o convite, justamente pelo desafio envolvido e pela possibilidade de home office. Já tinha lido alguns textos sobre essa modalidade e só ouvi coisas possitivas (tirando o fato da necessidade de tomar cuidado redobrado com o foco), não precisar se deslocar, conseguir gerenciar melhor a sua vida pessoal e profissional e por ai vai.

Sempre trabalhei com pessoas super divertidas e inteligentes. Assim, tinha duas preocupações principais com tudo isso, que era focado no aprendizado técnico e na convivência com pessoas diferentes (conviver em ambientes homogêneos certamente é fácil, mas são nos heterogêneos que evoluímos). Nas primeiras semanas esta foi a principal preocupação, por isso procurei sempre conciliar meu almoço com o de outras pessoas que conhecia (inspirado nos almoços da comunidade do Rio).

Na parte técnica, como estava iniciando uma disciplina de pós-graduação, achei que o contato com pessoas diferentes da área técnica seria suprida por ela.

Os primeiros desafios se encontraram justamente no controle de horário, era fácil descuidar do horário de acabar o trabalho ou então, "resolver algo rapidinho para adiantar o dia de amanhã, em noites de insônia". O oposto também acontecia, em alguns dias com menos Nirvana, era comum ir para a cozinha arrumar a louça do café da manhã ou do lanche da tarde para esfriar a cabeça e acabar rendendo menos do que deveria.

Outro problema, era o fato da sua casa ser o seu local de trabalho. E isso se tornava extremamente complicado em dias mais estressantes, onde não era possível fazer a troca de ambiente ou o trajeto trabalho -> casa. Muitas vezes ao adentrar na sala onde eu trabalhava, lembrava dos problemas que teria que resolver no trabalho no dia seguinte, e sentia que nunca me desligava totalmente.

Por outro lado, podia passar muitas tardes gostosas trabalhando em cafés da região ou até mesmo viajando. Tendo contato com pessoas de diversas áreas e tendo um certo crescimento profissional ao me interessar por detalhes de áreas correlacionados a computação.

Para mim, o home oficce significou justamente essa liberdade de local de trabalho. Podendo entrar em contato com diferentes pessoas, em diferentes locais. Em momentos de maior concentração era possível ficar sozinho com o computador e em momentos mais tranquilos era possível tomar um bom café enquanto programava.

Certamente, trabalhar de home office é uma experiência totalmente diferente da que estamos acostumados nas grandes empresas. É possível que muitos não se adaptem a ele, mas acredito que a mudança de paradigma (ainda que curta) seja extremamente benéfica para entendermos melhor a nós mesmos. Definitivamente, você estar "sozinho" e não cercado por pessoas, lhe faz entender melhor aquilo que te distrai e aquilo que te faz produzir melhor.