Conversando com um morador de rua

Nos frios verões de Cardiff (ao menos para os padrões brasileiros), todo e qualquer gramado em um dia insolarado vira uma praia. Com pessoas deitadas aproveitando cada raio solar.

Foi num desses dias que um morador de rua me abordou. Pensei que ele ia pedir dinheiro ou algo assim, mas ele sentou próximo de mim, com uma lata de cerveja inglesa. Não lembro bem como a conversa começou, mas lembro dele se apresentar como um ex-chef que veio da Polônia para o Reino Unido a procura de uma vida melhor.

Durante seu relato sobre sua vida em seu país de origem relatou problemas muitos semelhantes aos brasileiros. Moeda fraca comparada com a libra (1 libra = 5.90 zloty e 1 libra = 5.45 reais no momento em que escrevo esse artigo), violência com torcidas de futebol e sensação de insegurança nas ruas.

Descreveu como foi para Londres sem nenhum emprego em vista e como acabou sendo preso por portar um canivete nas ruas. Claro que não mencionou o por que da cicatriz em forma de mordida que tinha em sua mão, mas fez questão de fazer comentários machistas sobre as mulheres inglesas. O que me fez duvidar um pouco sobre sua história de como acabou preso.

Apesar de morar na rua, não aparentava passar fome. Com o Salvation Army distribuindo comida todos os dias e com um almoço custando 1 libra, não deve ser difícil conseguir alguma coisa para comer diariamente.

Relatou que até trabalhou durante um tempo ali em Cardiff como cozinheiro, mas que era difícil pagar aluguel na região. Com apartamentos custando cerca de 1000 libras por mês, não é todo mundo que pode se dar ao luxo de morar na cidade. E por isso estava nas ruas.

O que mais me chamou atenção em toda a história dele, foi como tudo aquilo poderia muito bem ter se passado em São Paulo, no Brasil. Onde viajantes de outros estados trocam (ou trocavam) o pouco que tinham pela possibilidade de uma vida melhor na capital paulista. Como, apesar de todas as nossas diferenças culturais, somos todos parecidos, independente de raça, credo ou nacionalidade.