Chega de prova!

Nas aulas de Programação orientada a objetos(vulgo aula de Java), lembro que todos os alunos reclamavam de fazer a prova em folha sulfite. Já que no mundo real, teríamos a ajuda de uma IDE e até mesmo do Stackoverflow, o que evitaria erros simples na prova(era .size() ou .length() mesmo?).

Ao chegarmos no mercado de trabalho(há quatro-três anos atrás), nos deparamos com o mesmo problema. A maioria das empresas fazia seleção baseada em uma prova escrita em papel sufite.

Não que este tipo de teste seja incapaz de selecionar os melhores programadores, mas podem vir a selecionar as pessoas que melhor decoram APIs da linguagem ou ainda pior, pessoas que decoram as respostas aos exercícios básicos que são repetidamente colocados em provas de faculdades e neste tipo de seleção.

Além do mais, o dia a dia de um engenheiro de software é muito mais do que resolver um problema, mas saber organizar esta solução para que os próximos engenheiros não percam um dia tentando entender ou adicionar features nele.

Mas as empresas estão renovando a forma de seleção de seus funcionários. Algumas preferem pegar o github do candidato e ver como ele escreve os códigos que ele abre, ou como ele colabora com a comunidade. Outras preferem dar um problema e um prazo, deixando o desenvolvedor livre para pesquisar soluções na internet.

Outras preferem o meio termo, o Facebook por exemplo pede ao programador que abra o http://collabedit.com/ e convide o entrevistador para ver como ele irá solucionar uma série de problemas "clássicos"(com várias modificações). O entrevistador acompanha o desenvolvimento do código, inclusive dando sugestões de melhoria conforme o andar.

Já a CI&T aplica um hackathon, na linguagem que precisa de colaboradores. Nele os candidatos formam diversas equipes e são auxiliados por funcionários da empresa, para responder a possíveis dúvidas(sempre evitando dizer qual solução é mais certa). Assim, todos são avaliados num ambiente muito parecido com o de "produção". É possível verificar como os desenvolvedores interagem entre sí, como eles discutem soluções e quão abertos eles são para ideias de outras pessoas.

Também existem empresas que fazem Coding Dojos, que tem as mesmas vantagens do hackathon, porém com duração menor, desgastam menos os funcionários e candidatos, podendo também aumentar o número de pessoas avaliadas por semana.

Todas estas novas formas de avaliação trazem consigo vantagens e desvantagens, mas pela aproximação com o ambiente do dia a dia, é possível dizer que elas selecionam de forma mais objetiva e real as pessoas. Afinal, nós fazemos software, nós precisamos de computadores, não de folhas sulfite.