Anjos da Morte - Eduardo Spohr

Ano passado eu quase consegui ler um livro por mês (se contar quadrinhos e livros técnicos consegui uma média de 4 livros por mês), este ano estou tentando me puxar bem mais para conseguir ler um livro de ficção por mês. Para isso estou me forçando a ler um livro a cada 15 dias (assim com imprevistos consigo manter a média).

O primeiro livro do ano é na verdade um livro que comecei no ano passado: "Anjos da Morte", do brasileiro Eduardo Spohr. O livro é o segundo da trilogia "Filhos do Éden". Filhos do Éden se passa num universo baseado na mitologia cristã, com anjos, demônios. A principal diferença para a crença da igreja católica é: "e deus descansou no sétimo dia". Essa interpretação é considerada literal e deus estaria dormindo, ausente, longe de tudo. Deixando o universo nas mãos dos seus arcanjos e dos seres humanos.

Diferentemente do primeiro livro, Anjos da Morte me agradou desde o princípio. O livro segue duas histórias ao mesmo tempo: a de Danyel durante as duas guerras mundiais e a de Kaira nos tempos "modernos" (2010~2016, leitores do futuro).

A parte de Danyel, na minha opinião, é a melhor e mais emocionante parte. Tanto pelo fundo histórico (que foi baseado em diversas pesquisas), quanto pelo personagem. Danyel, como ele mesmo cita, é o personagem mais próximo do ser humano, com defeitos e imprevisível. É com ele inclusive que mais me senti apreensivo e com vontade de ler as próximas páginas para saber o que aconteceria.

Durante a leitura dos trechos históricos, por diversas vezes, me questionei se aquilo teria ou não acontecido. Fiquei desejando uma espécie de notas de rodapé explicando até onde as citações eram reais. Somente no final do livro descobri que o apêndice é todo dedicado a isso. Explicando o que realmente aconteceu durante uma das épocas mais sombrias da humanidade.

A história de Kaira, por sua vez, é um tanto previsível, os personagens são um tanto vazios. Não é possível se conectar a nenhum e em alguns momentos os personagens parecem se colocar em certas posições apenas para o autor mostrar "partes legais do universo dele". A história toda é tão previsível que mesmo quando algo acontece aos personagens, existe a certeza que todos ficaram bem.

O final, conectando as duas histórias, não foi lá essas coisas. Seguiu os clichês mais básicos, praticamente um desenho animado para crianças. Confesso que me fez questionar se eu deveria ou não ler o terceiro.

Outro marco fraco: a divisão dos livros. Sinto ela foi feita como seriados são produzidos: o último minuto do último episódio é somente um trecho do que esperar na próxima temporada. Por isso não vejo o porque (fora motivos financeiros) para dividir a história em três livros. Talvez se a história fosse um livro, poderia-se até cortar trechos inúteis da história, que mais cansam do que acrescentam qualquer coisa.

De qualquer forma, o autor sempre avisou que este não era um épico como foi A Batalha do Apocalipse e que deveriamos esperar uma história de "quest" e nada mais. Dito isso, o livro entrega o que promete.