Alemanha, parte 2 - Berlin, a cidade anarquista

Sempre ouvi falar muito bem de Berlin. Pelos comentários, a cidade deveria ser um grande hub cultural, mais ou menos no estilo de São Paulo e Londres. Esse tipo de comentário não fugiria da normalidade, dado o tamanho da cidade. É de se esperar que a capital de um país tão grande e conhecido seja repleto de diferentes culturas e eventos culturais. Mas Berlin é bem mais que isso. Em todos os dias que estive na cidade, havia um evento cultural gratuito para se visitar (orquestra sinfônica no meio de uma praça, festival de música na frente do Brandenburger Tor e por ai vai).

Assim que cheguei na cidade, senti aquela pressão de metrópole. Pessoas correndo de um lado para o outro, ar poluído, comércios indiferentes e chamativos. Senti que não aguentaria ficar lá por muito tempo, acostumado com Dublin, que apesar dos pesares é uma cidade média. Porém a cidade é mais que isso. Berlin é muitas berlins. Cada parte dela respira de forma diferente.

O bairro que fiquei hospedado (bem perto do Mitte) é conhecido por ser um bairro de imigrantes turcos. O lugar é super alternativo. A maioria dos restaurantes veganos da cidade ficavam ali (era mais fácil achar comida lá do que no centro). Também era lá que se encontravam diversos bares e baladas alternativas, como o Schokoladen. O Schokoladen é pub de “esquerda”. Ele é coberto de cartazes de eventos de grupos como Antifa, LGBT e anarquistas. Também há alguns fanzines independentes no lugar. A cerveja é barata, chegando a custar 2.5Eur.

A comida nos aredores do Schokoladen é muito boa. Diversos restaurantes veganos, alguns tão lotados que era impossível pegar uma mesa sem reservar. Um dos meus favoritos é o Mommos, onde vendem uma espécie de pastelzinho vegano.

Se Berlin não é Alemanha, como dizem, a prova está na cerveja. As cervejas locais não seguem muito o padrão das cervejarias da Bavária. Elas variavam de muito boas, para muito ruins. A pior que tomamos foi uma Berliner doce. Ela tinha uma espécie de suco dentro (de ervas ou de frutas vermelhas) que a tornava uma espécie de refrigerante estranho.

Falando em refrigerante, eu não vou nem comentar o Cola Diesel (Coca-Cola com cerveja).

Eu sempre comento que você lê as cidades européias pelos adesivos colados nos postes. Berlin é em geral uma cidade dominada pela Antifa e movimentos anarquistas. Em todos os lugares comuns é possível encontrar diversas marcações (adesivos e pixações) com a simbologia desses grupos.

No primeiro dia que chegamos, a orquestra sinfônica de Berlin estava tocando em uma praça, por conta de um evento patrocinado pela BMW (Orchestra fur Alles). O lugar estava lotado, com pessoas sentadas ou em pé. Como todo evento alemão, haviam cervejas por toda a parte. Já no segundo dia, na frente do Brandenburger Tor, havia um evento musical patrocinado pela Coca-Cola por conta da unificação de Berlin/Alemanha. Os dois eventos totalmente gratuitos.

A cidade é recheada de pontos turísticos. Sobre a segunda guerra mundial temos diversos monumentos para lembrar o povo alemão das atrocidades cometidas, com o memorial judeu. Sobre a guerra fria, há diversos fragmentos do muro de Berlin. Como pontos mais antigos temos a Brandenburger Tor r. Tudo é muito próximo e é possível caminhar entre todos os pontos. Principalmente porque há sempre algo para se ver no caminho.

Não é todo mundo que fala inglês em Berlin. Em alguns lugares eles misturavam o inglês com o alemão. Outras vezes falavam o inglês com um sotaque MUITO forte, sendo impossível de entender. Como aluno de alemão, foi possível na maioria das vezes entender e ser entendido.

Berlin é literalmente uma cidade que nunca dorme. Os metros estão sempre disponíveis, baladas todos os dias em algum lugar. Todas as tribos tem algum pub ou bar para se encontrar. Apesar da maioria alemã ser muito tradicional, é possível achar versões veganas da comida na cidade (mais fácil que em Munique). É uma cidade jovem e ao mesmo tempo histórica. Há espaço para todo tipo de turista.