Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley

A felicidade real sempre parece bastante sórdida em comparação com as supercompensações do sofrimento. E, por certo, a estabilidade não é, nem de longe, tão espetacular como a instabilidade. E o fato de estar satisfeito nada tem da fascinação de uma boa luta contra a desgraça, nada do pitoresco de um combate contra a tentação, ou de uma derrota fatal sob os golpes da paixão ou da dúvida. A felicidade nunca é grandiosa.

Terminei de ler "O admirável Mundo Novo" e a série de distópias que tinha prometido ler nesse começo de ano. Diferente do universo de George Orwell, a população é controlada pela diversão e prazer.

que está o segredo da felicidade e da virtude: gostar daquilo que se é obrigado a fazer.

As pessoas nascem em castas e desde pequenas são condicionadas as tarefas que terão no futuro. Pessoas de castas baixas, são condicionadas ao ambiente e as tarefas que farão quando crescerem. Assim, não existe greve ou rebelião. E apesar do nojo que uma casta sente pela outra, há um sentimento de agradecimento, por elas execerem tarefas que pessoas de outras castas não se sentiriam felizes.

Sim, já sei - disse Bernard, trocista. - Os próprios Epsilões são úteis! Eu também. E bem gostaria de não servir para nada!

Nem mesmo um mundo onde orgias são feitas a toda hora e todos fazem somentem o que "querem" é perfeito. Por alguma razão as pessoas podem se sentir um pouco deprimidas as vezes e é por isso que foi criado a droga chamada "soma". Diferente das drogas de nosso tempo, está proporciona o escape perfeito da realidade, sem os contra tempos atuais (dores de cabeça, ressaca, danos a saúde).

E se por acaso alguma coisa correr mal, há o soma, que o senhor atira friamente pela janela em nome da liberdade, senhor Selvagem. A liberdade! - Pôs-se a rir. - O senhor espera que os Deltas saibam o que é a liberdade!

Claro, que se drogar para fugir da realidade não é uma forma de liberdade, mas sim uma cadeia. A soma me lembra muito as drogas anti-depressivas, que parecem atuar atualmente como uma forma de continuarmos nesse ritmo frenético de produção comercial. Onde as pessoas ao invés de reduzirem o horário de trabalho para ao menos as 8 horas normais, os aumentam junto com a quantidade de drogas ingeridas.

todas as pessoas que, por esta ou aquela razão, tomaram individualmente excessiva consciencia do seu eu para poderem adaptar-se à vída em comum, todas as pessoas insatisfeitas com a ortodoxia, que têm ideias independentes, bem pessoais, todos aqueles que, numa palavra, são alguém.

Todas as pessoas no universo de Huxley não sabem o que é o "eu". São condicionadas ao coletivo desde pequenas e estão constantemente em convívio com outras pessoas, não sendo permitido socialmente ficar sozinho.

O "eu" é justamente o que nos traz as maiores tristezas, se analizarmos bem. É o que desejamos e não podemos ter, ou o que nos atribuem e não queriamos que nos faz tristes. Se eliminarmos a questão do indíviduo, também eliminamos as tristezas. De certa forma alcançamos até mesmo a eternidade (pregada pelo Partido em 1984), pois um indíviduo morre, o coletivo não.

Mas eu não quero conforto. Quero Deus, quero a poesia, quero o autêntico perigo, quero a liberdade, quero a bondade, quero o pecado.

Os personagens principais do livro são justamente aqueles que por algum motivo se sentem diferentes do restante. Um é mais baixo que os de mais de sua casta, o outro é muito mais inteligente que seus semelhantes e o terceiro é um selvagem que foi acolhido pela civilização.

As diferenças dos três quanto a sociedade traz infelicidade para todos. Não importando que um se sente inferior e o outro superior. A individualidade é o motivo por trás disso. Mas ao mesmo tempo, é o mesmo motivo para eles serem únicos em um universo que qualquer pessoa é exatamente igual a outra.

A diferença é na verdade a única marca deles, a única coisa que eles podem agarrar. O selvagem entende bem isso e luta até o final para ter o direito a ter limitações, a ter desejos.

Em suma - disse Mustafá Mond -, você reclama o direito de ser infeliz.