A terra do conto de fada, parte 1 - Zurique

A Suíça é famosa por ser o país onde tudo dá certo. Um dos países com a população mais rica, baixos níveis de violência e altos níveis de educação. O que poderia ser ruim nessa terra de fantasia?

Passei uma semana viajando em torno da Suíça e posso afirmar que a fantasia é real, apesar de alguns problemas. Comecei oficialmente minha viagem em Basel, pois cheguei pelo EuroAiport que é compartilhado pela França e Suíça, mas só cheguei na cidade e me dirigi a Zurique.

Zurique fica na "parte alemã" do país, com salários notavelmente mais altos que o resto da Europa e por consequência custo de vida. A cidade não é tão turística e eu diria que é uma das "capitais do capitalismo", lojas famosas em todos os lugares, pessoas vestindo roupas de marcas, carros esportivos de luxo nas ruas.

No primeiro dia por lá, meu host no airbnb me convidou para um jantar de expatriados em um pub irlandês (¬¬). O pint por meros 8 euros (e eu achando Dublin caro) e um hambúrguer descongelado por 18. Mas enfim, a comida não era o importante nesse encontro. Foi lá que aprendi que o povo suíço religioso paga imposto para o governo (aparentemente 1% do salário) que é repassado para a igreja na qual ele acredita. Trocando em miúdos, se você é católico, paga 1% do seu salário para o governo que é repassado para a igreja católica (uma espécie de dízimo). Pois é, e vc ai reclamando do estado laico brasileiro...

O lugar mais notável de Zurique é o "topo de Zurique", que é uma montanha (ou morro? Nunca sei exatamente a diferença de tamanho entre os dois) acessível por trem da cidade que permite uma vista perfeita das cidades próximas.

De quebra, no mesmo lugar é possível fazer diversas trilhas. Os caminhos tem sinalização e é bem difícil se perder. O único ponto fraco (até da cidade em si) é que nem todos os restaurantes/comércios tem pessoas que falam inglês/italiano/francês/espanhol. Em uma das trilhas, morrendo de fome decidi entrar em um restaurante. O menu estava todo em alemão, a garçonete só falava alemão e a 4G não estava pegando, o que basicamente significava que eu não poderia usar o Google Translator para saber o que pedir. Acabei pedindo uma sobremesa que eu achei ser relacionada a fondue (pelo nome), mas na real era uma espécie de sorvete numa caixinha.

O funcionamento da cidade chega a ser mágico. Os trens são extremamente pontuais, se a tabela de horário diz que o trem estará lá as 14:10 ele estará lá esse horário, o mesmo vale para o ônibus. Para atravessar a rua, os pedestres nem olhavam para os lados, só pisavam na faixa e iam, sem nem mesmo apertar o passo. Por outro lado os carros (sempre andando em baixa velocidade), olhavam para os lados para sempre garantir que não havia pedestres por perto.

O Franco Suíço é ligeiramente mais barato que o Euro, o que tornava as coisas um pouco mais barata para mim. Por outro lado, caso você desejasse usar o Euro por lá era possível, porém a conversão era de 1 para 1.

Zurique é uma cidade cara, não é turística, mas é definitivamente uma cidade da qual qualquer visitante passeando na Suíça deve passar. Me assustei inicialmente com o preço da cidade, mas a visão do "topo de Zurique" valeu totalmente a pena. Definitivamente uma ótima cidade para morar, mas não foi de longe a melhor cidade que visitei por lá...