A terra do conto de fada, parte 4 - Grindelwald

Quando comecei a planejar a minha viagem para a Suíça, o que eu mais pensava era nos Alpes. Coloquei as outras cidades no meio do mochilão porque sentia que não podia deixar de visita-las, mas o que eu realmente queria era as montanhas.

Se as cidades suíças impressionam pela forma como funcionam, os Alpes impressionam por si só. Minha primeira montanha oficialmente foi Grindelwald. Como tudo na Suíça, o município era calmo, seguro e extremamente funcional. Cheguei lá de trem depois de algumas horas de viagem de Zurique.

Assim que você pisa no primeiro trem que sobe o "morro" é bombardeado por diversas propagandas sobre quais montanhas estão disponíveis para subir. Fiquei por lá dois dias, e por isso subi duas. A primeira, Lauberhorn é bem próxima da cidade e eu só precisei pegar um teleférico para chegar ao topo. A montanha não é tão alta (cerca de 2,400 metros), mas foi definitivamente onde mais aproveitei. Como fui em baixa temporada, o local estava praticamente vazio e pude andar tranquilamente por todo o espaço disponível, podendo ver todo o ambiente. Em certos momentos, quando me afastava de todos havia um silêncio mágico: nenhum som. Sem nenhum pássaro, carro, humanos, animais. Nada. Só você e a montanha. Definitivamente um ato religioso.

A segunda montanha é conhecida como "Top of Europe", Jungfraujoch. O passeio é definitivamente caro, é necessário pegar um trem de uma empresa privada para chegar até o topo. O valor foi de 139 francos, porque eu tinha desconto por ter o Swiss Travel Pass, acredito que sem ele o valor seria cerca de 190 francos. Sim, o valor é alto, mas é um daqueles passeios que se você está lá e tem condições de fazer, você precisa fazer.

Durante o trajeto o trem vai parando em pontos estratégicos com visão panorâmica do local. Infelizmente a "visão" é feita por janelas, mas ainda sim é lindo. As paradas duram cerca de um minuto, mas é o suficiente para ver a paisagem, tirar foto e voltar. O único problema dessas paradas e em geral desse ponto turístico é a quantidade de turistas, principalmente asiáticos. As vezes é necessário competir com os milhões de selfies que eles tiram e entrar no meio para conseguir ter uma boa visão do local. Alias, achei engraçado que alguns turistas nem chegavam a ver a janela, só tiravam fotos e outros nem chegavam perto da janela, iam tirar foto com a placa com o nome do lugar e voltavam para o trem.

Chegando lá em cima, existe quase uma disneylandia de atrações turísticas para se ver. São nove ou dez pontos, todos com placas indicando para onde ir para vê-los. Os pontos que dão para o lado exterior são na minha opinião os melhores. Lá de fora é possível ver uma boa extensão de terra congelada e ainda de quebra brincar um pouco com a neve/gelo. O único problema dali é o frio, por ser um ponto muito alto, as partes não cobertas com roupa parecem congelar. Recomendo usar muitos agasalhos ali :).

O que me decepcionou foi a quantidade de turista, não dava para ficar aproveitando nenhum dos locais, pois sempre tinha alguém tirando foto/empurrando. Por isso não era possível ficar muito tempo admirando o exterior.

Dentro do complexo turístico, há uma caverna de gelo. Ela é bonita e você gasta cinco minutos andando por ela. Acho que a melhor parte é o Sid da Era do Gelo congelado em uma das paredes. O resto dos pontos turísticos não são tão interessantes, algumas esculturas, uma bolinha de neve em tamanho Itú e por ai vai.

Grindelwald não é só um bom lugar por estar tão perto de tantas montanhas, mas também tem seus próprios pontos turísticos. Vários restaurantes tem sacadas com vistas maravilhosas, se você sair um pouco da rua principal e ir para o comércio dos locais fica ainda melhor. "Longe do centro" (cinco minutos andando) você recebe um tratamento muito melhor e consegue ver muito mais locais (no caso eram pessoas bem mais velhas, provavelmente aposentadas) tomando seu chá da tarde enquanto conversam sobre o dia em alemão.